quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Platonicien

Jogue a primeira pedra quem nunca se apaixonou por um sorriso, um olá, um alô, um cantor ou qualquer outra coisa que parecesse maluca e sem sentido! Jogue a segunda pedra quem nunca se interessou pelo assunto. Ok, e cá estou eu falando novamente de amor.
O conceito de amor platônico surgiu num contexto em que se debatia a homossexualidade mundana contra o amor filosófico puro, decorrentes da visão contida nos escritos de Platão. Para não ter mal entendidos prefere-se fazer uma divisão, na qual "amour platonique" é acepção de amor não-sexual e "amour platonicien" é o amor segundo Platão. Discussões sexuais a parte, a expressão "amor platônico" ainda é utilizada levando em consideração a visão do amor por Platão, logo vou dar um passeio sobre a visão do autor sobre o assunto.
Em O Banquete, Platão tira aquela imagem do amor como algo ascético e assexuado, e coloca o amor sexual como um ato natural mas aprofundando suas raízes! Neste, o amor é como uma escada e a cada degrau acima uma sublimação do sentimento acontece.
No primeiro degrau da escada dos sentimentos tem-se que "ao amar uma pessoa você está amando o universo e vice-versa" onde o amor é algo genuíno e sem egoísmo! Nesse primeiro nível o relacionamento físico não tem como finalidade apenas a obtenção de prazer. O amor é "uma loucura que é dádiva divina!", pois nesse primeiro estágio de paixão os sentimentos são facilmente confundidos e o mundo vira a pessoa amada e todos os padrões de beleza estão ali. Para Platão, nesse primeiro estágio é preciso transformar essa dimensão e ver não apenas a pessoa, mas o universo nela.
O segundo degrau da subida para a platonicidade é amar todas as formas físicas belas, o que particularmente, nem acho tão difícil assim! Ainda mais depois de passar por todo o encantamento universal que o primeiro degrau te possibilita (risos). O terceiro degrau nessa tentativa de sublimar o nosso bom e velho amor platônico é amar a beleza da mente, independente da forma física à qual ela está associada. Essa é muito boa! Me lembra um desses e-mails corrente que você recebe (mas é legal, juro! XD) que falava que um casal ligado apenas por aparências com o passar dos anos não resiste a rotina e sucumbe pela saudade da beleza física não mais existente, diferente de um casal ligado pelos características mentais, interiores! Uma vez apaixonado pelo que uma pessoa é de fato, nunca mais esquecido.
O quarto degrau da escada do amor é a ética, este é um passo mais amplo e universaliza o amor . Ele vai envolver integridade, justiça, bondade, consideração, práticas belas que condizem ao amor. O quinto degrau está extremamente ligado ao quarto: amor pelas instituições belas. Esse passo mostra como a sociedade funciona quando suas instituições estão em equilíbrio e harmonia. Em uma outra obra de Platão, A Republica, este equilíbrio em um exemplo prático é mostrado quando as pessoas exercem funções na sociedade as quais elas têm conhecimento e vocação, elas vão exercer apenas isso durante toda a sua vida mas com amor e dedicação. Assim, a sociedade cresce de maneira eficaz e com a população trabalhando alegre nesse crescimento.
No sexto degrau, tende-se mais ainda em direção ao universal e ao abstrato. É onde você se apaixona pela "ciência", conhecimento e compreensão, "que articula não só as leis que governam o indivíduo, a família e a sociedade, mas algo que transcende o meio local. A beleza da ciência é universal, como o Teorema de Pitágoras." No sétimo e último degrau nesta subida para a tão esperada sublimação do amor, Platão não desaponta em suas conclusões. Após uma conversa com Diotima, ele conclui que após essa passagem do mundano para o aspecto superior do universo subitamente (palavra usada por Platão) você vê não a manifestação da beleza, mas a beleza em si. O amor se expressando como a manifestação eterna da beleza em si e você se apaixona pela essência que torna belas todas as coisas.
E agora quem sabe toda essa maluquice sem sentido seja compreendida? Ah o amor...!

4 comentários:

Seshiro :D disse...

Excelente texto. Muito, muito bom. Na minha opinião, o melhor do blog até agora, sério mesmo! Tu bem que podia tentar fazer umas crônicas... que tal?

Cáh disse...

Ah =) Muito obrigada Yui! Obrigada pela dica!

Morango Kisser disse...

Tudo isso por causa de uma palheta e o do tal do mathias?
AHIAHAIHAIOAHIAHAO
Muito bem escrito Caah! *-*

Cáh disse...

HASHAUSHAUSHHAUSHAS a idéia inicial partiu dele sim :x Assumo! XD

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